Princípios
Compramos empresas para as manter. Esse facto, por si só, determina quase tudo o resto — a forma como tratamos quem nelas trabalha, como medimos o sucesso e quanto tempo tencionamos ficar. O que se segue não é uma estratégia. É um conjunto de exigências que fazemos a nós próprios, nos bons anos e nos maus.
I · Continuidade
Quase tudo o que adquirimos permanece como o encontrámos: a equipa, a localização, o nome à porta. Uma empresa que conquistou os seus clientes ao longo de décadas não precisa de ser reinventada. O nosso primeiro instinto é mudar o menos possível — e explicarmo-nos antes de mudar seja o que for.
II · Autonomia
Quem construiu uma empresa é, em regra, quem está em melhor posição para a dirigir. Não colocamos gestores nossos, nem dirigimos as empresas à distância. Acordamos um rumo claro e o que significa fazer bem, e deixamos os operadores trabalhar.
III · Um horizonte longo
Não temos um fundo para liquidar nem uma data em que sejamos obrigados a vender. Isso liberta-nos para decidir com anos de distância, e não trimestres — um telhado, uma carrinha, um aprendiz — quando o retorno é paciente mas certo. Medimo-nos em décadas.
IV · Contas honestas
Dizemos aos nossos investidores e às nossas empresas a verdade simples, em números simples. As boas notícias viajam sozinhas; são as más que garantimos que nos chegam cedo. Uma empresa é mais fácil de cuidar quando ninguém receia comunicar um problema.
V · As pessoas antes do negócio
Por trás de cada empresa que analisamos está um proprietário a decidir o destino do trabalho de uma vida, e pessoas cujo sustento depende dessa decisão. Tentamos nunca o esquecer. Preferimos perder um negócio a ganhá-lo tratando qualquer dos dois com ligeireza.
Um sinal caro
Não damos aconselhamento fiscal, e desconfie de quem lho der antes de ver as suas contas.
Um preço só significa alguma coisa depois de alguém ver as suas contas. Desconfie de quem lhe der um preço antes disso, incluindo de nós. Um número dado por telefone, sem ver um único exercício, não é uma proposta: é uma forma de o prender enquanto se decide o que oferecer de verdade, e é quase sempre o mesmo número que desce mais tarde, quando já lá investiu meses. Nós dizemos-lhe o que pensamos do valor da sua empresa depois de uma primeira conversa e de um conjunto de contas, colocamo-lo por escrito, e não voltamos atrás no fim, salvo se houver alguma coisa material que não nos tenha sido dita.
Sustentabilidade
Sustentabilidade, para nós, quer dizer uma coisa concreta: a empresa tem de conseguir continuar sem nós e sem si. Isso mede-se em coisas banais e caras. O telhado do armazém arranjado antes de meter água. As carrinhas substituídas antes de darem problemas às equipas na estrada. Um jovem contratado e formado ao lado de um técnico experiente durante os anos que essa aprendizagem demora, e não durante os meses que o orçamento do ano aguenta. Um segundo responsável capaz de assegurar a operação quando quem sempre decidiu não estiver. Não temos metas para anunciar nem relatórios para publicar. Temos apenas a obrigação, que é nossa e não de outro dono qualquer daqui a uns anos, de entregar a empresa a quem vier a seguir em melhor estado do que a recebemos.