Sobre

Porque fizemos isto

Como nos conhecemos

Não somos amigos de infância, e não fingimos que somos. Conhecemo-nos já adultos, com carreiras feitas. Isto começou numa conversa em que um de nós explicou o que queria construir em Portugal e o outro percebeu que se andava a preparar para o mesmo sem lhe ter dado nome. Em vez de avançarmos pelo entusiasmo, fizemos o contrário. Durante um mês sentámo-nos uma vez por semana, cada um com respostas escritas às perguntas que costumam ficar por fazer: como se decide quando discordamos, o que acontece ao dinheiro, o que faz cada um se um dia quiser sair. Ficou dito na primeira sessão que qualquer um podia dizer que não, sem discussão e sem briga. Nenhum disse, e passámos a sócios em partes iguais.

Podíamos ter continuado ambos onde estávamos. Um de nós tinha passado por capital de risco e por consultoria e sabia o que é analisar uma empresa a partir de fora, recomendar o que deve mudar e ir-se embora antes de as consequências chegarem às pessoas. O outro tinha construído a sua própria empresa do zero e queria passar a década seguinte perto de negócios reais, de pessoas reais e de instalações onde se pode entrar. Nenhum desses caminhos nos punha onde queríamos estar: a ser donos, a decidir com informação incompleta, e a ter de estar presentes no dia em que a decisão custa alguma coisa a alguém.

Porque estes ofícios

Escolhemos climatização, eletricidade e canalização porque são o trabalho que um edifício não pode dispensar. Quando o ar condicionado de um hospital pára, ou falta corrente num hotel, ou rebenta uma conduta, ninguém adia para o próximo trimestre. Boa parte deste trabalho é obrigatória por lei, com inspeções e verificações a prazo certo, e boa parte só pode ser feita por quem tem alvará, título de registo e técnicos com as habilitações próprias. Isso significa procura que se repete todos os anos, e uma barreira à entrada que se ganha com anos de ofício e não com dinheiro.

Há também uma razão de humildade. São ofícios antigos, feitos por empresas que na sua maioria foram construídas pela mesma pessoa ao longo de trinta ou quarenta anos, e nós não vimos ensinar ninguém a fazê-los. Começámos por estes três porque é aqui que a recorrência e a exigência legal são mais evidentes, e porque se entra um ofício de cada vez. O que procuramos é mais largo do que estes três, dentro dos serviços técnicos essenciais ao edifício, mas preferimos dizer só aquilo que já sabemos fazer.

Porque comprar para manter

Um comprador com data de saída tem de vender, e por isso decide sempre com o relógio à frente. O preço que oferece depende de quanto acha que a empresa valerá no dia em que a puser outra vez à venda, e as promessas que faz sobre os anos seguintes serão para outra pessoa cumprir. Não é má-fé. É a forma como aquele tipo de comprador está construído.

Nós fizemos o contrário, e fizemo-lo de propósito. Não somos um fundo. A sociedade não tem duração definida e não existe uma data em que sejamos obrigados a vender uma empresa. A consequência prática é simples e é a única que interessa a quem vende: o que lhe prometermos sobre os anos seguintes seremos nós, ainda cá, a ter de cumprir. Podemos por isso pagar um telhado, uma carrinha ou um aprendiz cujo retorno só aparece daqui a cinco anos, dizer que não a uma empresa boa que não seja para nós, e olhar um proprietário nos olhos sabendo que continuaremos à frente do que ele nos entregar.

Uma casa permanente para a empresa que construiu.

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