Investidores

A nossa tese

Porquê serviços técnicos essenciais, porquê um grupo, porquê Portugal, porquê agora.

Porquê serviços técnicos essenciais

Um edifício em funcionamento precisa de ar, de água e de energia elétrica todos os dias, e precisa de alguém que trate disso. É trabalho que se repete: avenças e contratos de manutenção, inspeções e verificações que a lei impõe com data marcada, avarias que não esperam pela próxima decisão de investimento do cliente. Quando o orçamento aperta adia-se a obra nova, mas não se adia a manutenção da central térmica de um hospital nem a verificação do quadro elétrico de uma fábrica. É também uma despesa pequena para quem a paga, face ao que protege, e por isso a relação com o cliente é estável e pouco sensível ao preço. Procuramos por isso empresas em que a manutenção pesa mais do que a instalação: aí a procura não depende da moda nem do ciclo imobiliário, depende de o edifício continuar a funcionar.

O setor é feito de muitas empresas pequenas, quase todas dirigidas pelo dono. Em 2024, segundo o INE, havia em Portugal cerca de 17 900 empresas nas três atividades por onde entrámos, instalação elétrica, canalização e climatização, com perto de 69 mil pessoas ao serviço e um volume de negócios agregado de cerca de 5,3 mil milhões de euros. Dá uma média de cerca de 294 mil euros de faturação e menos de quatro pessoas por empresa. Não existe um nome nacional neste setor. Não há uma marca que um dono de edifício reconheça de Braga a Faro, e as empresas com dimensão para servir bem clientes exigentes são, quase sempre, casos isolados na sua região. É um setor onde a escala nunca se fez, não por não valer a pena, mas porque ninguém a construiu.

Uma empresa de trinta pessoas resolve sozinha quase tudo. O que não resolve sozinha são as coisas que só se resolvem com dimensão. Sozinha, compra pior do que compra um grupo. Sozinha, não tem quem lhe trate de seguros, de financiamento, de sistemas ou de recrutamento sem tirar o dono do trabalho que ele sabe fazer. Sozinha, não tem como formar e reter técnicos num mercado em que os técnicos são o que falta a toda a gente. E sozinha, o dia em que o dono quiser parar é um problema sem solução dentro de portas. Num grupo, estas coisas passam a existir, e continuam a existir depois de o dono deixar de as fazer. O que não passa para o grupo é exatamente aquilo que faz a empresa boa: os clientes, a equipa, o nome à porta e a maneira de trabalhar ficam onde estão. Não é uma ideia nossa nem uma ideia nova. Na Suécia e no Reino Unido há grupos que fizeram isto durante décadas nestes mesmos ofícios, com centenas de empresas familiares compradas, cada uma a manter o seu nome e a sua direção local, e com muito pouca gente no centro.

O perímetro

A tese é uma só, e é mais larga do que as páginas de atividade deixam ver: serviços técnicos essenciais ao edifício. Entrámos por climatização, eletricidade e canalização porque é aí que a recorrência do trabalho e a barreira regulatória são mais claras, e porque se entra um ofício de cada vez. As páginas de atividade cobrem esses três, e são esses três que hoje procuramos. O que as define não é o ofício em si, é a condição: trabalho que o edifício tem de ter feito, por lei ou por necessidade, feito por quem tem licença para o fazer, e feito outra vez no ano seguinte. O que vier depois virá pela mesma razão, e não antes de o primeiro estar bem feito.

Porquê Portugal, e porquê agora

Portugal tem cerca de um milhão e meio de empresas, e quase todas são pequenas e familiares. A geração que as fundou, sobretudo entre o fim dos anos setenta e os anos noventa, está agora a chegar à idade em que a pergunta deixa de se poder adiar. E em Portugal a resposta costuma ser má. Não é por falta de qualidade das empresas. É por falta de comprador. Um dono que queira resolver a sucessão sem fechar a empresa, ou que queira alguma liquidez sem deixar de trabalhar, ou que tenha um sócio a sair, ou filhos com outra vida, ou tudo o que tem metido numa só empresa, encontra hoje três caminhos e nenhum bom: fechar, vender ao concorrente do lado, ou vender a quem já está a pensar em revender. A idade não decide isto sozinha, e há donos que vão continuar a trabalhar muitos anos depois de nos venderem a empresa. O que a demografia decide é o número de vezes que esta conversa vai acontecer em Portugal na próxima década, e esse número não tem paralelo em nenhuma década anterior.

Segundo o Livro Branco da Sucessão Empresarial, publicado pela Fundação AEP em 2011, cerca de metade das empresas familiares portuguesas não sobrevive à primeira passagem de geração, e apenas cerca de um quinto chega à terceira.

A esta dimensão quase não há compradores, e a razão é estrutural. O mercado português de capital investe uma fração do que a média europeia investe, e um fundo, mesmo querendo, tem de escrever cheques maiores do que estas empresas justificam e tem de dizer ao dono quando é que volta a vender, que é a frase que nenhum dono quer ouvir. Os grupos estrangeiros que entraram em Portugal compraram as maiores empresas do setor e as atividades vizinhas, porque é aí que a sua economia funciona, e nós vemos essa concorrência uma ou duas dimensões acima de onde procuramos. O concorrente da terra ao lado compra às vezes o vizinho, mas raramente tem capital para isso e quase nunca tem a intenção de manter. Fica um dono de uma boa empresa a receber telefonemas de intermediários e nenhuma proposta séria de alguém que fique. É esse lugar que queremos ocupar.

Nestes ofícios não se abre a porta e começa a trabalhar. Para executar instalações é preciso alvará do IMPIC, com a habilitação certa para o trabalho que se factura. Para mexer em gases fluorados, ou seja, em praticamente todo o equipamento de frio e de climatização, a empresa tem de estar certificada ao abrigo do Regulamento (UE) 517/2014 e do Decreto-Lei 145/2017. Para instalações de gás é preciso estar registado na DGEG como entidade instaladora. E do outro lado, a manutenção e a inspeção dos sistemas técnicos do edifício estão elas próprias na lei, no Decreto-Lei 101-D/2020, no regime de segurança contra incêndio e na Lei 52/2018 sobre a prevenção da legionela. Nada disto se compra num dia. Cada credencial está agarrada a pessoas certificadas que a empresa tem de ter e de manter, e é essa a razão pela qual uma empresa estabelecida vale mais do que a lista dos seus clientes: o direito de fazer o trabalho é ele próprio parte do que se compra. É também a razão pela qual a lei, que para o dono é um custo, é para quem já cá está uma proteção.

Documentação

A documentação não é pública. Partilha-se depois de uma conversa e sob confidencialidade. Pedro Teixeira Duarte, geral@grupocerne.pt, +351 918 330 399.

Uma casa permanente para a empresa que construiu.

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